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Dez anos de Voorlinden: encontro dos ícones da arte moderna e contemporânea!

Foto do escritor: Erik Sadao
Erik Sadao
há 4 dias
4 min de leitura

Voorlinden, um dos meus museus de arte contemporânea favoritos na Europa, completa dez anos neste setembro. E celebra como um bom anfitrião celebra, mudando todos os móveis de lugar.



De 12 de setembro de 2026 a 7 de março de 2027, o museu em Wassenaar, próximo a Haia, apresenta Celebrating the Icons of Art. Pela primeira vez desde a abertura, o prédio inteiro reúne uma única exposição. Ícones contemporâneos da coleção são colocados ao lado das obras do século XX que os tornaram possíveis. Kusama e Monet. Lichtenstein e Léger. Bourgeois, Bacon, Hockney, Matisse, Miró, Richter, Riley e Ron Mueck, todos em uma só mostra. A diretora Suzanne Swarts chama isso de "uma celebração tanto do reconhecimento quanto da surpresa", o que descreve bem como me sinto toda vez que visito o Voorlinden.



A primeira vez

Swimming Pool, de Leandro Erlich
Swimming Pool, de Leandro Erlich

O museu abriu em 10 de setembro de 2016, em uma propriedade rural onde o cenário dos pôlderes dá lugar às dunas, a vinte minutos de Haia. Joop van Caldenborgh o construiu para abrigar uma coleção particular que vinha reunindo desde os anos 1970, e o prédio em si é a primeira coisa que revela que tipo de lugar é este. É baixo, claro e coberto de vidro, de modo que as galerias são iluminadas pelo céu sobre o Mar do Norte. Dias nublados são diferentes de dias de sol. Tardes de inverno são diferentes de manhãs de junho. Nunca vi a mesma pintura duas vezes ali.


Ron Mueck,
Ron Mueck,

Na minha primeira visita fiz o que todo mundo faz. Desci as escadas até a famosa Swimming Pool de Leandro Erlich, fiquei seco no fundo e olhei para cima, através de poucos centímetros de água, para desconhecidos que me fotografavam de volta. Depois encontrei Couple under an Umbrella, de Ron Mueck, duas figuras idosas em uma escala impossível, dormindo em uma praia que não existe, e me lembrei de quando guiei a primeira grande exposição do artista no Brasil, alguns anos atrás. Depois Open Ended, de Richard Serra, um labirinto de aço em que se entra confiante e de que se sai um pouco menos. E então o Skyspace de James Turrell, uma sala com um buraco no teto e nada mais, o que acaba sendo suficiente.


Ron Mueck, Boy, 1999, Coleção ARoS, c/o Pictoright Amsterdam, 2026 | foto © Mads Smidstrup
Ron Mueck, Boy, 1999, Coleção ARoS, c/o Pictoright Amsterdam, 2026 | foto © Mads Smidstrup

A abóbora e Monet dividindo o mesmo espaço


Yayoi Kusama, Pumpkin, 2009, Coleção Museu Voorlinden | foto Antoine van Kaam
Yayoi Kusama, Pumpkin, 2009, Coleção Museu Voorlinden | foto Antoine van Kaam

A palavra ícone começou nas igrejas. Um ícone era uma imagem à qual se voltava, que carregava significado porque as pessoas continuavam olhando para ela, década após década, geração após geração. O significado estava no voltar. Museus fazem algo parecido. Uma pintura vira ícone quando gente suficiente já parou diante dela, discutiu sobre ela, copiou, odiou, mudou de ideia a respeito. As ninfeias de Monet são ícones por causa de todos que olharam para elas desde 1900. As abóboras de Kusama estão a caminho do mesmo status, uma fotografia de cada vez.



Roy Lichtenstein, M-Maybe (A Girl’s Picture), 1965, Museum Ludwig Köln | foto © Historische Archiv mit Rheinischem Bildarchiv
Roy Lichtenstein, M-Maybe (A Girl’s Picture), 1965, Museum Ludwig Köln | foto © Historische Archiv mit Rheinischem Bildarchiv

O que Voorlinden faz neste outono é colocar os dois tipos de ícone na mesma sala, para que se veja o significado passar de um ao outro. As listras de Bridget Riley ao lado do século que inventou a abstração. M-Maybe (A Girl's Picture), de Roy Lichtenstein, uma pintura sobre as imagens que já carregamos na cabeça, em uma casa cheia dos pintores de quem ela tomou emprestado. Félix González-Torres, cuja obra muitas vezes só existe porque os visitantes levam um pedaço dela para casa, em um museu construído sobre a ideia de que arte existe para ser passada adiante. E uma obra nova de Martin Creed, datada de 2026, para manter a conversa no tempo presente.



Por que NÓS recomendamos

Joan Miró, Bleu I, II, III, 1961, Centre Pompidou, Paris
Joan Miró, Bleu I, II, III, 1961, Centre Pompidou, Paris

Criar experiências é o nosso trabalho. Na Sapiens Travel passamos uma quantidade desmedida de tempo pensando em como a cultura sobrevive, e a minha resposta, depois de anos observando de perto, é que a cultura se mantém viva quando é olhada, discutida e passada adiante. Um tesouro que ninguém visita é um objeto muito caro em uma sala escura.


Por isso Voorlinden está nos nossos programas desde que abrimos, e já levei colecionadores até lá, e famílias, e pessoas que me disseram no café da manhã que "não curtem muito museu" e que duas horas depois não demonstravam vontade de ir embora.


COMBINAÇÕES POSSÍVEIS


Haia
Haia

Voorlinden fica entre Haia e Leiden. O Mauritshuis, com seus Vermeers e seus Rembrandts, está a vinte minutos. O Kunstmuseum Den Haag, com a maior coleção de Mondrian do mundo, mais ou menos o mesmo. Leiden, com seus pátios, seus canais e sua universidade mais antiga que a República Holandesa, fica a quinze minutos na outra direção. A praia de Wassenaar é uma caminhada a partir do portão do museu, e o restaurante e os jardins da propriedade engolem com prazer uma tarde inteira.


Para este outono e inverno desenhamos dias que colocam a exposição em sua paisagem, com um Storykeeper que conhece a coleção e as pessoas por trás dela, e com as cidades e atividades ao redor escolhidas com o mesmo cuidado.


Celebrating the Icons of Art, Museu Voorlinden, Wassenaar. De 12 de setembro de 2026 a 7 de março de 2027.

 
 
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